sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Mar de angústia

La Salida de las Barcas
Joaquín Sorolla

6 contributos:

At 20/2/10 03:35, Blogger manuel disse...

Mar de Angustia
Mais quatro vidas ceifadas ainda jovens . Talvez de uma maneira ingrata.
Os robalos infelizmente matam muita das nossas gentes .
Pelo menos que os seus corpos sejam resgatados .
A's Familias muita coragem nesta hora tao triste .
Que o auxilio material a estas Familias seja ra'pido e eficaz .
Paz a's suas almas .

 
At 20/2/10 04:00, Blogger manuel disse...

Peco desculpa mas a minha emocao estava muito alta e esqueceu-me assinar o comentario acima
Manuel Joaquim Leonardo
Peniche Vancouver Canada

 
At 20/2/10 10:25, Blogger Farelhão disse...

Dos jornais de hoje, 20 de Fevereiro de 2010:
Quatro pescadores de Peniche estão desaparecidos desde anteontem à noite. Vão continuar as buscas...

Dos jornais de 15 de Setembro de 1955:
Naufragou na barra de Aveiro, junto a S. Jacinto, uma traineira de Peniche com 17 pescadores a bordo.

Dos jornais de 19 de Setembro de 1955:
António Paulo, conhecido como Sardinha Arinca e que era o mestra da traineira Graça de Deus que naufragou no passado dia 14, deu à costa na praia de Buarcos, Figueira da Foz. Os restantes 16 pescadores continuam desaparecidos.

O que nenhum jornal noticiou:
Desde 14 de Setembro de 1955, nunca mais um menino ouviu o seu avô chamá-lo pela rádio Peniche-Pesca como o fez, pela última vez, nesse dia ao final da tarde:
Nuno Paulo...Nuno Paulo...Nuno Paulo...

 
At 2/3/10 05:59, Blogger manuel disse...

Ao Farelhao

UM testemunho desta natureza deveria ser ASSINADO

Na madrugada do dia 13 de Setembro de 1955, a's 2 horas da madrugada depois de estarmos ja' ha' mais de duas semanas sem podermos sair a Barra de Aveiro o nosso Mestre mandou levantar o ferro e seguimos rumo a' Barra. A noite estava de tempestade e quase que nao se via a mais de cem ,cento e cincoenta metros a' nossa frente .
A forca da corrente de vazante fazia a nossa embarcacao ir ao dobro das milhas que normalmente costumavamos navegar . o vento ululava medonhamente e o nosso barco quase que nao obedecia a' manobra do leme .
Quanto a mim foi uma ma' decisao tentarmos sair a Barra com uma tempestade desta forca brutal .
Mas o Mestre e' que mandavava , antes de chegarnos aos molhes da barra mandou os poucos pescadores que ainda estavam em cima irem para baixo.
Eu disse-lhe que nao ia para baixo e que me amarrava ao estai e aos farois de navegacao.
O mestre mandou-me obedecer mas eu respondi que queria ver como ia morrer.O mestre meteu-se dento da casa de leme e seguiu em frente .
Comecamos a apanhar voltas de mar que faziam o barco ficar completamente com o conves submergido e estavamos a ser levados com a forca da corrente . Nao se viam as estrelas e a visibilidade era quase nula apanhamos muitos mares e parecia que esvamos ja quase a sair a barra quando uma grande onda se comecou a formar e o barco empinado no mar quase a prumo quando a vaga quebrou. Como ja estavamos ja no principio do topo da vaga esta quebrou e o barco caiu desemparado.
Nao apanhamos segunda onda e o barco conseguiu sair a rebemtacao das vagas .A porta do leit abre -se e vejos os nossos camaradas gritarem que estavamos a ir para o fundo pois a agua entrava pelas juntas das tabuas do costado .
O motorista tambem gritava que a casa da maquina esta a encher de agua .
Eu ainda estava amarrado e disse-lhe para ele fechar o macho de fundo e ligar a bomba de circulacao do motor a comecar a chupar a agua que estava dentro do barco. Todos gritavam era o caos
Gritei e comecei a fazer tiras da minha camisola e a dar para calefetarem como podessem as tabuas para vermos se conseguiamos vencer a agua que entrava pelas frinchas .
. Uns a esgotarem a agua com panelas com as bacias onde comiamos , baldes e bombas de mao tudo a esgotar e conseguimos colmatar a entrada da agua com a saida a' mao
Entretanto o dia comecou a vir e assim comecamos a poder ver e tapar os sitos por onde entrava a agua com mais quantidade .
levamos mais de 24 horas a fazer a viagem ate' Peniche
partiram-se dezasseis cavernas a quilha e a sobrequilha ficaram rachadas e o bucim como ficou empenado o barco navegava a menos de metade de velocidade normal
Tivemos a sorte de nao apanhar segundo mar ou se nao a traineira Graca de Deus no outro dia ja' nao sairia a Barra em homenagem aos mortos . Quase tres meses de reparacoes por causa da estupidez de um Mestre que nao respeitou as forcas das tempestades e pos em risco ou levou para a morte todos os seus companheiros. Ainda hoje vai acontecendo desastres desta natureza por erros humanos.
No mar nao ha' verdadeiros Herois porque os verdadeiros Herois sao aqueles que sabem ponderar , temer e respeitar as forcas da Natureza .
Nao sei quantos estaremos vivos par contar esta Historia . Ainda o ano passado conversamos junos relembrando como de costume esta quase trage'dia . esse ainda sobrevivente chama-se Adelino ...
desculpem-me nao sei nao recordoo seu apelido so' sei que mora por cima do cafe Roma tem um filho que tem uma companhia de canelizacao e o Adelino agora quase que nao a pode contar derivado a sua terrivel doenca
Ou havera ainda outros que no's nao nos lembramos ? ou desconhecemos que ainda andao neste Mundo Cao ?
Os meus mais profundos respeitos a todos que morreram e a's suas Familias que passaram por estas desventuras
Manuel Joaquim Leonardo
Peniche Vancouver Canada

 
At 2/3/10 11:46, Blogger Farelhão disse...

Caro Manuel, o meu testemunho está assinado. Três vezes.

 
At 2/3/10 13:40, Blogger manuel disse...

Ao Nuno Paulo
Compreendi bem o que diz mas volto a repetir que deveria ser com nome Completo
Seu criterio mas o sr, faz o que pensa que esta mais correcto, respeito a sua opiniao.
Ainda hoje e sempre sinto o que infelizmente foram momentos de dor que a's vezes se poderiam evitar
Queiram aceitar os mais respeitosos cunprimentos .
Manuel Joaquim Leonardo
Peniche Vancouver Canada

 

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