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Na minha infância e
adolescência na Praia de Peniche de Cima (como hoje se usa dizer: aquilo ali é a minha praia) não havia nadadores-salvadores. As nossas aflições no mar eram resolvidas por entreajuda ou, nos casos mais graves, por um ou outro adulto mais vigoroso que um de nós, subindo a muralha em três tempos, rapidamente alertava. Também as picadas de peixe-aranha não contavam com os
géis,
sprays e outras
panaceias com que os actuais vigilantes de praias rapidamente atenuam as respectivas dores.
No despudor próprio da idade e local, era imediato o ancestral recurso às propriedades anti-sépticas da própria urina, copiosamente direccionada em rebuscada pontaria.
Mas o tempo passa, e os usos mudam. Hoje, nesse capítulo,
estou totalmente ultrapassado... Cão a fazer xixi num dia de nevoeiro
Sérgio Fernandes, 2009